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O projecto AnAnAnA existe desde 1990. Em 1993 surgiu a primeira
edição em disco com o objectivo principal de documentar
a produção recente no âmbito da nova música
portuguesa. Actualmente a arrumação das suas referências
faz-se através de três secções: 'AnAnAnA'
(onde cabem as edições em formato longo dos artistas
nacionais), NON (abreviatura de 'not only national'; abrange obras
de músicos estrangeiros e/ou em colaboração
com artistas nacionais) e FICTA (obras com tempo inferior a 22 minutos).
Ainda existe a secção Especial, que vai recolhendo
obras que tenham tido produção executiva
da AnAnAnA.
[...] A AnAnAnA é pioneira na edição e distribuição,
em Portugal e no estrangeiro, da música portuguesa 'de arte',
que se pratica à margem das tendências musicais organizadas,
sejam a música 'clássica' contemporânea, a electroacústica,
o jazz ou o rock. A editora dispõe de uma loja própria
e de um sistema de venda por encomenda postal. A AnAnAnA estreou
em disco criações de Rafael Toral e
Manuel M. Mota e editou consagrados da música experimental
portuguesa, como Carlos Zíngaro e os
Telectu. A AnAnAnA é pioneira por ter tornado 'visível'
uma realidade musical alternativa que em Portugal era difusa ou,
mesmo, praticamente inexistente. RUI EDUARDO PAES (jornalista escritor
e crítico de música)
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[...]Todavia, O futuro só se diz em particular é um álbum/trabalho
de pesquisa que não merece o esquecimento, porque avançar no tempo
exige, por vezes, reflectir sobre o que está para trás e porque da
comunhão entre o passado e o presente pode nascer algo de muito
grande. Não é pioneiro (os Balla e os Belle Chase Hotel por vezes
movem-se nestas águas), mas é original no modo como se manifesta – ora
sarcastica, ora exoticamente. Só por isso já merecia um lugar digno e
asseado na prateleira de álbuns editados em território nacional na
recta final de 2003. BODYSPACE.NET
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[...] Colagens, electrónica desconstrutivista e dissecação
de canções que não chegam a sê-lo, confluem
num compartimento onde a desarrumação sonora é
apenas aparente. A estética Recommended espreita, os desarranjos
psicológicos de uns Biota, idem, mas quando o swing electrónico
de um tema como «Allo...» funciona em pleno, são
os melhores Negativland ou os actuais brincalhões da A-Musik
que deitam a cabeça de fora, enquanto em «Partypooper»
nem Frank Zappa faria melhor. (
) Um dos casos mais sérios
e originais da nova música portuguesa. PÚBLICO
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[...]
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[...] Emídio Buchinho é essencialmente um músico
ambiental e muitas das peças que reuniu neste seu primeiro
trabalho são aquilo a que se vai chamando de 'soundscapes',
paisagens musicais indutoras de estados de espírito ou criadoras
de atmosferas. Brian Eno, Jon Hassel, Michael Brook, David Torn são
as referências implícitas da sua música, ainda
que nunca procure segui-los. Antes pelo contrário: a sua incessante
busca de novas soluções leva-o a distanciar-se de legados
mais definíveis. in MONITOR
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O grupo Kromleqs é um trio de multi-instrumentistas. Carlos
Andrade, Paulo Sérgio e Filipe Leote. O disco é composto
por 50 temas que, em média raramente ultrapassam um minuto.
As guitarras tomam a primazia, temperadas pela electrónica
variada, sobretudo a percussão. o disco parece esboçar
a cada momento o protótipo de canções pop que
se antevêem, mas que nunca se concretizam. Um humor subtil e
variado em cada um destes 50 temas, apesar dos mesmos serem todos
instrumentais. O que mais seduz no disco de estreia dos Kromleqs é
a capacidade de evitar totalmente a monotonia. O disco oscila entre
os instrumentais pseudo-pop, os puros divertimentos electrónicos
e as danças de salão prefiguradas num easy-listening
de boa cepa. O cuidado colocado em cada fragmento, numa diversidade
quase infinita, é o melhor sinal de que estamos em presença
de um dos mais estimulantes e atraentes discos editados em Portugal
nos últimos tempos.
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Compositor, arranjador, director e trompetista. Assume-se simples
jazzman e isso, diz ele, ´nem sempre é fácil'.
Nasceu em 1961, em Paris. Viveu no Brasil e em França até
radicar-se em Portugal nos anos oitenta. Precisamente em 1984, iniciou
a sua actividade com os Moeda Noise. Praticantes de um rock-jazz ambiental
por vezes violento, realizaram dezenas de concertos pelo país,
não deixando, porém, registos (oficiais) gravados; extinguiram-se
em 1986. Desde então Sei Miguel, sob seu nome, dirige formações
de geometria variável e, facto a assinalar, tem um corpo de
obra editado: Breaker (1988); Songs Against Love and Terrorism (1989);
The Blue Record (1990); The Portuguese Man Of War (1993); Showtime
(1996).
[...] Seja ou não fruto do momento, nada em ´Token' parece
resultar do acaso ou da espontaneidade. Nesta medida, é menos
um trabalho sobre o ´eterno presente' da improvisação
do que a congelação de formas que, paradoxalmente, nascem
do jazz. Dos blues ao free, passando pelo bebop. «Token»
não transcende o tempo, mas tira-lhe as medidas. in PÚBLICO
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